Um amigo um dia me falou sobre sua relação com o tempo, como via o tempo passar, agir sobre ele. Falou-me algo sobre a inerente maneira que o tempo tem em nos fazer percebê-lo sobre nós.Dizia-se incomodado por tal estado, impotente diante de sinais com um furor cronológico incomensurável. Isso me fez refletir.
Preparei ma mesa para dois com todas as exigências que dita a etiqueta. Preparei os convites: "Ao ilustríssimo senhor Tempo". Convites respondidos.
Lá estavamos nós, só nós. A mesa redonda com duas cadeiras, duas taças: uma com vinho, outra com água apenas - o convidado alegou não beber em serviço. Uma luminaria nos delimitava o espaço visível, o resto... penumbra.
Comecei o colóquio tão desejado com um questionamento, tal esse que me corroia as têmporas em indagações sem fim.
- Bem senhor...
Fui logo interrompido pelo convidado em um tom de superioridade explicativa ao mesmo tempo que cordial.
- Por gentileza, senhor não: tempo, apenas tempo.



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